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22/04/2015

Vida plena

Texto: 1Jo 1.1-4:

I. O que era desde o princípio (v. 1).
Geralmente quando ouvimos a palavra princípio, logo pensamos naquilo que era no início da criação. Algo antigo, que ocorreu a milhares de anos e que nada mais tem haver conosco hoje. Mas não é este o princípio a que João se refere.
João nos fala de princípio como aquilo que era essencial na vida humana, mas que até então estava oculto, fora do alcance humano.
Muitos pensadores buscaram compreender este princípio fundamental ou essencial na vida, mas não encontraram. Certamente muitos já procuraram e até hoje procuram encontrar este princípio da vida na música, no tarô, no búzios, num amor romântico. Outros procuram este princípio de vida nas festas, no adultério, na prostituição e, por fim, nas drogas.
Independente de como você tem procurado o princípio ou a razão de sua existência, ela não pode ser encontrada por meio do esforço humano. No v. 2 João é claro:

II. O princípio da vida (zoé) se manifestou numa pessoa (v. 2).
Importante: Quando João fala que a vida se manifesta, ele não está falando da vida biológica.
Se ele estivesse se referindo a vida biológica ele usaria o termo bios no grego. Mas ao invés de bios, ele usa o termo zoé.
Zoé é mais que vida biológica. Bios todo ser que respira tem. Mas Zoé, que é vida plena, só quem tem comunhão com o autor da vida, com aquele que era desde o princípio, pode vivenciar.
Zoé é algo que Deus deu a conhecer há 2000 anos e que os apóstolos de Cristo, as testemunhas oculares, puderam ouvir, ver e até apalpar.
Nenhuma experiência humana se compara a isto. Jamais a umbanda, o candomblé, ou qualquer outra forma de espiritismo abrirá acesso a esta vida plena que foi revelada exclusivamente em Jesus.

III. A vida que se manifesta é eterna.
Vida eterna novamente é mais abrangente que simplesmente viver para sempre.
Viver para sempre pode ser algo terrível, se isso significar viver eternamente perdido, vazio ou infeliz.
Por isso João usa para vida eterna a palavra eônico.
Eônico vem de éon ou era. Tem referência com a era futura. Com a vida do mundo futuro.
Ou seja: A questão da eternidade, para João, é vista mais do ângulo da qualidade do tempo do que da quantidade.
E mais: A eternidade não é só realidade futura. É realidade que se manifesta hoje. Aliás, se a eternidade não trazer seus reflexos para sua vida hoje, não tens parte com ela no amanhã.
Pois é para este fim que Jesus foi entregue na cruz pelos nossos pecados, como está escrito em Gálatas 1.4:
“O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”.

IV. A vida se manifesta no amor (1Jo 4.9).
No v. 2 João testemunha: E a vida se manifestou.
No cap. 4, v.9, João testemunha: O amor de Deus se manifestou.
As semelhanças aqui não são meras coincidências, senão que a vida plena encontra a sua maior expressão no amor.
Não passamos da morte para a vida plena se apenas entendemos o amor de Deus, mas se amamos com o Seu amor. Fato é que Deus é amor.
Ele criou o mundo por amor e para o amor.
Ele enviou o Seu Filho por amor e, por amor, Seu Filho morreu por nós.
Quem recebe o Filho de Deus, recebe o amor em seu coração. E este amor não fica oculto, mas se revela em atitudes concretas de perdão, de oferta de tempo, dons e bens, em prol de nossos irmãos, amigos e até inimigos.
Aqui entendemos outro ponto a respeito da vida plena:

V. Quem descobriu a vida plena, quer comunhão (v. 3).
3. O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo.
Não é novidade afirmar que não nascemos para viver sozinhos. O relato da criação do homem já atesta isso e a nossa experiência também.
O problema é que mesmo tendo necessidade de vivermos em comunhão, a tendência natural é que vivamos mais em tensão, em disputa de interesses com os outros. Enquanto a vida plena (éon) não se manifesta em nós, vivemos insatisfeitos com a vida (bios). Como estamos vazios de vida e eternidade, buscamos nos relacionamentos pessoais o preenchimento deste vazio existencial.
Vemos o outro como uma possível chance de preenchimento deste vazio. Então, em nossos relacionamentos, sugamos o outro, idolatrando-o, até que não sobrar mais nada que nos interesse nele.
Então busco um novo relacionamento, uma nova amizade, um novo namoro, uma nova comunidade, um novo emprego, e assim surge uma decepção após outra.
Por que? Porque idealizo as pessoas. Porque crio uma expectativa irreal dos relacionamentos. Porque busco a felicidade e o preenchimento do meu vazio existencial em pessoas, por vezes, tão vazias quanto eu.
O único que pode preencher este vazio existencial de VIDA é o autor da vida. (E quem é o autor da vida?)
Só quando nossa expectativa por VIDA for preenchida com a presença de Jesus, então posso ter comunhão com outras pessoas. Pois comunhão não é idolatrar pessoas, mas amá-las, exortá-las, perdoá-las e aceitá-las assim como são.
Uma vez que somos preenchidos de significado pela presença espiritual e real do Pai e do Filho, então temos condições de manter a comunhão com outras pessoas.
Em comunhão com o Pai e o Filho temos vida abundante a compartilhar com os outros. E não como antes, quando tentávamos sugar o máximo dos relacionamentos, por estar com o coração vazio de vida e eternidade.
Comunhão, portanto, pressupõe amor. Não o amor que eu busco dos outros, mas o amor que eu dou aos outros. Este amor não é outra coisa senão reflexo da vida de Jesus em nós. Ele é a vida. E quem nele crê, do seu interior fluirão rios de água viva, rios que criam vida e comunhão. Amém.

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