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06/10/2018

Vida em Comunhão

Rafael Klabunde

A vida cristã é marcada por altos e baixos, alegrias e tristezas, momentos de estar entre pessoas amadas e momentos de solidão. Em diversos momentos passamos por situações onde nos sentimos próximos a Deus e cuidados por ele, mas também há momentos onde Deus parece distante e a solidão se torna uma realidade dolorosa.

Vida cristã não é apenas euforia – muitas vezes passamos por vales sombrios que nos assustam. Na realidade são muitos os momentos onde não nos damos conta de que Deus está presente e cuidando de nós. Muitas vezes nos acostumamos com o fato de Deus parecer distante.

Na vida do povo de Deus sempre foi assim: em vários momentos experimentaram o deserto e a solidão, mas também a presença cuidadora de Deus. Ao saírem do Egito, Israel passa 40 anos caminhando no deserto. Eles saem do Egito esperando encontrar a terra prometida, mas se deparam como deserto cheio de perigos. O deserto era considerado um local onde Deus não está presente – é considerado caos. Dentro desse pensamento, podemos compreender como foi difícil para Israel se deparar como deserto; Deus havia lhes prometido uma terra e seria o seu Deus, mas agora precisavam enfrentar justamente aquele terrível deserto cheio de perigos. A pergunta que eles se fizeram é: será que Deus estava com eles?

O deserto foi um período de grande aprendizado para Israel. Leia o texto de Deuteronômio 8.1-5.

Deserto é tempo de ser provado por Deus e se questionar sobre a sua presença. Também é tempo de sofrer e passar por dificuldades. Mas, ao mesmo tempo, o deserto é tempo de aprender que Deus está presente e experimentar essa presença de Deus por meio do seu cuidado. Foi ali, no deserto, onde criam que Deus não estava presente, que Israel pode experimentar a revelação de Deus e a sua presença por meio do seu cuidado.

Mais tarde, na história de Israel, eles precisam enfrentar novos desertos em sua vida. O exílio foi um acontecimento muito doloroso para Israel, onde se questionaram sobre a presença de Deus. Com o exílio o povo agora se encontrava longe da terra prometida, o templo estava destruído e não havia mais um rei, mas eram escravos da Babilônia e o reinado da dinastia de Davi estava correndo sério perigo. Tudo aquilo no qual viam a presença de Deus e o cumprimento de suas promessas foi tirado deles e, novamente, passaram a se questionar sobre a presença de Deus. Nesse contexto surgem provetas como Ezequiel e Jeremias, que lembram este povo, em meio ao exílio, de que mesmo nos maiores desertos da vida, Deus está presente.

Deus não quer ser um Deus distante, mas um Deus presente. Vemos isso não apenas na história de Israel no Antigo Testamento, mas especialmente em Jesus Cristo. Nele Deus vem ao mundo, habita entre nós, se faz presente vivendo e sofrendo com nossos dilemas humanos.

Para reestabelecer nossa comunhão com Deus ele envia seu Filho, que dá sua vida por nós e, deste modo, nos reconcilia com ele. Quanto olhamos para Jesus podemos dizer: Deus de fato está presente e não quer ser um Deus distante.

Reflita:
Olhando para seus desertos, você consegue enxergar como Deus cuidou de você nesse período?
O que você pode aprender com seus desertos?
O que Deus utilizou para te mostrar o seu cuidado?

Comunhão com Deus só é possível em Jesus e por meio de Jesus. Por causa dele a vida cristã se torna uma vida em comunhão: com Deus, por causa de sua reconciliação, e comunhão com o próximo, isto é, com aqueles que também foram reconciliados por meio de Jesus. Em seu livro “Vida em Comunhão”, Dietrich Bonhoeffer comenta que a comunhão cristã é fundamentada em Jesus Cristo. Nós só podemos viver a comunhão com o próximo por causa daquilo que Cristo fez – é ele que nos une, não nossos gostos, semelhanças, preferências e nem nossa maneira de viver.

E, além disso, viver a comunhão a partir de Cristo significa que precisamos uns dos outros. Na comunhão cristã ninguém se basta, mas Cristo nos coloca na vida uns dos outros pois necessitamos uns dos outros. Precisamos de alguém para nos ouvir quando precisamos desabafar e confessar nosso pecado; e precisamos estar também doar nossos ouvidos quando alguém precisa de nós. Viver em comunhão com irmãos é graça.

Leia o texto de 1 João 4.20-21.

Muitas vezes é por meio de irmãos que Deus se faz presente na vida do Cristão. Por isso, não é possível viver em comunhão com Deus e rejeitar a comunhão com o próximo.

Reflexão:
Você consegue lembrar de algum momento de sua vida onde pode experimentar a presença e o cuidado de Deus por meio da vida de irmãos?
Como é para você a questão de estar disposto a ouvir a confissão de um irmão?
E como é a questão de confessar o seu pecado a um irmão? Quais as dificuldades que você tem para colocar isso em prática?

Que Deus te abençoe nos seus relacionamentos!

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