Através de Jesus, Deus se fez visível
13/08/2010
Jesus diz: “Quem me vê a mim, vê o Pai; como dizes tu: mostra-nos o Pai.” João 14:9
Logo após a Segunda Guerra Mundial, quando na Europa e Alemanha, tudo estava destruído, num acampamento intermediário, estava sentada uma criança. No trem dos fugitivos, ela tinha se perdido de seus pais e agora estava ali. A cruz vermelha quis cuidar da criança, mas ela estava inconsolável apesar das diversas promessas. Ela só dizia “Onde está meu pai? Eu quero estar com meu pai! Ele achou uma morada, e terá um lugar para mim? Quando posso encontrar meu pai?”.
Ouvindo este pensamento hoje em dia, podemos achar normal que uma criança pense desta maneira. Mas, em relação ao Deus Vivo, Pai de seus filhos e Criador, este questionamento não é mais normal. Contentamos-nos com suspeitas e dúvidas, vagas noções. A nossa palavra João 14:9 - fala de certezas.
No Advento e Natal sempre se diz que Deus veio a nós através de Jesus Cristo. E quem vê o Cristo, vê a face de Deus. Este é o tema desta devoção – em Jesus Cristo, Deus nos é visível. Desta forma, uma concepção antiqüíssima do homem é cumprida.
Certa vez, quando Paulo chegou a Atenas, essa concepção o impressionou. Enquanto esperava por seus seguidores, caminhou pela famosa capital grega, cidade dos filósofos e artistas. Nos muitos monumentos, templos e santuários, repentinamente ve um altar com a inscrição: “Ao Deus desconhecido”. Através deste altar, as vagas ideias do homem e a saudade são sensíveis.
No imenso número de deuses e ídolos, poderíamos ter esquecido de um deus, do Deus. Nesta terra vasta, de grande sabedoria, não se tem uma concepção certa sobre Deus. A filosofia não pode respondê-la. Hoje isto é diferente? Em nosso mundo saturado de conhecimentos, nos satisfazemos com respostas pequenas.
A oferta de religiões é muito ampla. Nessa realidade, no meio de todos esses conhecimentos, está a incerteza em relação ao Deus Vivo.
Neste período de advento, Deus aponta para Cristo. E assim, destrói ideias e sonhos vagos, quando não cômodos. Esta palavra age sobre nós de tal forma, como se fôssemos acordados no meio da noite ao acender uma lâmpada forte. Assim, a palavra de Deus nos deixa claro que somente quem aceita Jesus compreende e experimenta do amor de Deus.
Não existe certeza sobre Deus? Fora Jesus, não há salvação. Somente Nele, Deus se revelou. Felipe já pergunta “Senhor, tu falas tão seguro sobre Deus, tira-nos as nossas incertezas na nossa vida, que nos serão insuficientes até na hora da morte”.
Se hoje ainda vemos pessoas com vagas suspeitas e ideias, eu aconselho acreditar nessas palavras, pois, com tais dúvidas, não se pode viver feliz e morrer como salvo.
“Senhor, mostra-nos o Pai”. Isto é suficiente para responder a todas as nossas dúvidas. Assim Felipe se torna o arauto para toda a humanidade, até hoje. Portanto podemos hoje, durante e após esta devoção, nos achegar a Cristo pedindo por certeza e a resposta. E ela nos vem, como para Felipe: “Quem vê a mim, vê o Pai”.
Isto é, somente em Jesus Cristo, sua Palavra e seu Espírito, nós experimentamos a graça de Deus. O Pai não se faz visível nem ao lado, nem acima, nem atrás de Cristo, mas sim, em Cristo revela Sua presença divina, graça e benignidade. No Cristo, o Deus invisível se torna visível. Como a lua sempre mostra à terra a mesma face, assim Jesus é o lado de Deus em nossa direção.
De Deus apenas sabemos o que Jesus nos disse, mostrou, revelou com seu nascimento e sua vida, com seu sofrimento e sua morte, com sua ressurreição e ascensão. Ele nos disse o que conhecia sobre seu Pai. Nós falamos daquilo que sabemos, e testemunhamos o que podemos ver. E aquele que não é uma criatura divina, que nunca foi criado, mas que criou todo sistema solar e o mundo, este diz, antes da palavra que lemos “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ao lado de Jesus, e sem Ele, só existe equívoco, cegueira e perdição. Mas quem O vê, quem O aceita em fé, de coração e se curva diante da revelação divina, conhece a Deus. O Espírito Santo dá a este a visão para vê-lo.
Por isso, nas pregações da despedida de Jesus, onde está inserida esta Palavra tão significativa, Ele fala de uma visão introspectiva. Os cinco sentidos, nós reconhecemos. Mas há um sexto. É uma possibilidade, com uma visão diferente, que nos é dada por Deus para reconhecê-lo como o verdadeiro. Através deste sexto sentido, podemos pedir “Se meus olhos foram abertos, posso testemunhar para outros o que eu vejo”. Quem viu a Cristo chegou à Verdade.
Sentimos quão pessoal é esta Palavra? Caros amigos, Cristianismo não é um sistema nem uma variedade de afirmações e dogmas, mas sim uma experiência com Cristo que todos podemos ter. Uma testemunha não fala do que os outros veem, e não pode se basear em relatos de outros. Aqui a pergunta vem ao nosso encontro: temos um encontro pessoal com Jesus Cristo? Sabemos desta experiência com Ele, podemos testemunhá-la? Não? Então lhes dou um conselho – não se prendam a vagas ideias e suspeitas, pois estarão perdidos. Peçam pelo Espírito Santo, que pode lhes abrir os olhos. E quem viu a Jesus Cristo não pode mais desviar seu olhar, e precisa ficar com Ele para sempre.
Em Jesus Cristo, Deus se revelou. Em Cristo, vemos o Pai, sobretudo em Seu amor por nós. Lembro mais uma vez da criança mencionada no início, para a qual todas as dúvidas se resolveram ao ver seu pai. Solidão, dinheiro, comida e vestimenta, e muitas outras, foram resolvidas de uma vez só. Quais são as nossas perguntas? Talvez muito mais do que as mencionadas. Por isso hoje eu digo, todas estas perguntas são respondidas através de Jesus Cristo e da certeza de que Deus é nosso Pai. É pela renovação dos nossos corações, perdão dos nossos pecados e experiência da bondade divina, que o Pai quer responder a todas as nossas perguntas.
Então não seremos mais como órfãos, com os quais se joga futebol. Mas sim, dependentes da bondade divina. [...] Estamos diante da manjedoura de Belém, com a verdade: Hoje vos nasceu o Salvador, que, em Gólgota, paga por nossos pecados, os quais nos atingiriam. E na manhã de Páscoa, Ele rompe a morte. Quem vê Jesus em Belém, no seu sofrimento, morte e ressurreição, vê o grande Amor Divino. Para uma pessoa que experimentou esta realidade, não existem mais dúvidas, nem vagas ideias. E sim, a experiência da fé resolve os problemas da sua vida. Todos que conhecem a Cristo, tiveram as perguntas de hoje e futuramente, solucionadas através Dele. E então Deus, um dia, será visível para todo o mundo.
Aos seus discípulos, Jesus promete que enquanto vivermos, e até a sua volta, virá um consolador que ficará com eles eternamente: “A minha paz vos deixo, e não vos dou como o mundo, não se atemorizem os vossos corações”. No grande advento, os cristãos vivem. Para eles, toda vida é um advento. E além da porta da morte, está o grande Natal. Quem vive em Cristo vive num eterno Advento, e o grande Natal é o que o espera após a sua morte. Amém.
